{"id":2869,"date":"2018-03-10T21:59:36","date_gmt":"2018-03-11T00:59:36","guid":{"rendered":"http:\/\/solanomundo.com.br\/?p=2869"},"modified":"2021-11-18T17:40:18","modified_gmt":"2021-11-18T20:40:18","slug":"salve-santa-barbara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/salve-santa-barbara\/","title":{"rendered":"Salve Santa B\u00e1rbara, a cachoeira aben\u00e7oada da Chapada dos Veadeiros"},"content":{"rendered":"<h4>Como cheguei na Chapada dos Veadeiros<\/h4>\n<p>J\u00e1 deu uma olhada nos sites de programas volunt\u00e1rios? Sou viciada neles!<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou quando uma grande amiga, Maria, me mandou um link. Esse site, que ainda estava em seus prim\u00f3rdios, era o <strong>WorldPackers<\/strong>. Viajei nas propostas dos hostels durante 3 anos, at\u00e9 decidir que era minha vez.<\/p>\n<p><em>Voc\u00ea pode fazer o mesmo e ir pra Chapada dos Veadeiros utilizando meu<a href=\"https:\/\/www.worldpackers.com\/pt-BR\/promo\/SOLANOMUNDO10?utm_campaign=SOLANOMUNDO10&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=affiliate\"> c\u00f3digo de 10 d\u00f3lares de desconto: SOLANOMUNDO10<\/a>. Assim, voc\u00ea vai desenvolver novas habilidades ao redor do mundo sem pagar por hospedagem.\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Como foi minha experiencia de voluntariado na Chapada dos Veadeiros?<\/em><\/p>\n<p>Fiz dois voluntariado na Chapada. No primeiro, minha anfitri\u00e3 foi a Anna, do <strong>Camping do Encontro<\/strong>. Minhas tarefas iam desde arrumar o terreno rastelando folhas, at\u00e9 deixar a cozinha e os banheiros em ordem.<\/p>\n<p>Por sorte, eles procuravam volunt\u00e1rios para o <strong>evento do ano<\/strong> e por isso, trabalhei tamb\u00e9m no Encontro de Culturas Tradicionais. Para mim, todas essas responsabilidades do evento significariam riscar as cachoeiras mais distantes do roteiro.<\/p>\n<p><em>At\u00e9 o dia que resolvi conversar com um menino na cozinha.<\/em><\/p>\n<p>Eu j\u00e1 o tinha visto antes. D\u00edficil n\u00e3o reparar, <strong>Rafael<\/strong>. Alto do tipo levemente curvado, bem magro, bem loiro, olho bem azul. Poderia ser modelo ou coisa assim, mas seu \u00fanico dread, seus \u00f3culos e sua papete de santo apontavam outro rumo.<\/p>\n<p>Li <em>Inhotim,<\/em>\u00a0em sua sacolinha de tecido. Perguntei se queria ajuda com a lou\u00e7a. O Rafael veio do <strong>Rio de Janeiro\u00a0<\/strong>para a Chapada, e depois de 2 anos na Europa, estava conhecendo o Brasil. Ele trabalhou em fazendas gringas e viajava de carona. Um <em>crush<\/em> de viagem.<\/p>\n<p>Sua rotina atual passou por meus olhos, como uma cena de filme carioca.<\/p>\n<h6>Externa-dia-Rafael sai da faculdade de arquitetura<\/h6>\n<p>A m\u00fasica \u00e9 Bossa nova. Pedalando pela orla ele chega a livraria onde trabalha, no Leblon. Cores quentes e pessoas de bermudas com copos de caipiri..Corta!<\/p>\n<p>Chegou o Andr\u00e9, o primo carioca menos alternativo.<\/p>\n<p>Andr\u00e9 estuda administra\u00e7\u00e3o e trabalha na<em> Cielo<\/em> operando um <strong>sistema de anti-clonagem para chips de cart\u00f5es de cr\u00e9dito. <\/strong>Rotinas t\u00e3o diferentes, na mesma cidade. Ele deve trabalhar com uma camisa\u00a0azul-c\u00e9u de S\u00e3o Paulo. Acho que\u00a0aquele tipo de m\u00fasica eletr\u00f4nica, que acompanhava sua narrativa, era o que estava evitando no cerrado.<\/p>\n<p>Passada essa transfer\u00eancia negativa, Andr\u00e9 se tratava de um cara muito legal, que queria<strong> dicas de cachoeira<\/strong>. Lembrei da tal da Santa,\u00a0o lugar que eu n\u00e3o iria. Reproduzi com a mesma anima\u00e7\u00e3o os coment\u00e1rios dos rec\u00e9m chegados e completei com suas fotos.<\/p>\n<p>Depois de trocar olhares e duas frases sobre a nova decis\u00e3o, me convidaram para ir junto. Prendi a respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Era minha chance de conhecer essa cachoeira, que o tanto de linda, tinha de distante. Suas incr\u00edveis \u00e1guas azuis est\u00e3o a mais de duas horas da Vila de S\u00e3o Jorge, <strong>munic\u00edpio de Cavalcante<\/strong>. O pacote incluiria uma visita ao quilombo <strong>Kalunga<\/strong> e um mergulho na <strong>cachoeira da Capivara<\/strong>.<\/p>\n<p>Conversei com a Anna sobre pegar o turno das 18 as 22 horas. Ela j\u00e1 sabia que eu n\u00e3o chegaria a tempo, eu s\u00f3 desconfiava. Mesmo assim, minha<em> chefe<\/em> aceitou, entendeu, e ainda me contou das belezas de l\u00e1.<\/p>\n<p>Estava muito empolgada com essa viagem, dentro da viagem, quando encontrei a <strong>J\u00falia<\/strong>, que virou uma grande amiga, no caminho. Eu trabalhava na <strong>recep\u00e7\u00e3o<\/strong> do camping de dia e ela, no<strong> bar<\/strong> do Encontro de Culturas, a noite.\u00a0<strong>Form\u00e1vamos uma \u00f3tima dupla.<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Ju! Tem dois caras que v\u00e3o amanh\u00e3 na Santa B\u00e1rbara! T\u00e3o na cozinha e tem lugar no carro!&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Ela entendeu do que eu estava falando, Santa B\u00e1rbara \u00e9 a<strong> figurinha brilhante da Chapada<\/strong>. A Ju \u00e9 atriz e d\u00e1 aulas de circo em Cabo Frio. Se formou em produ\u00e7\u00e3o cultural e foi para a Chapada viver o Encontro de Culturas. E assim ela fez, quando combinou com eles que iria junto.<\/p>\n<p>Uma viagem com desconhecidos tem tudo pra dar ruim, o que \u00e9 sempre uma \u00f3tima ideia.<\/p>\n<p>No carro escutei as hist\u00f3rias de viagem do Rafa, me apaixonei pelo jeitinho da Ju e com o Andr\u00e9, tive a incr\u00edvel surpresa de termos participado de um mesmo programa, que leva jovens a Israel, chamado Taglit. Relembramos \u00f3timos momentos entre o<strong> morro da baleia<\/strong> e as flores dos\u00a0<strong>chuveirinhos<\/strong>\u00a0no caminho.<\/p>\n<h4>Cavalcante e o Quilombo Kalunga<\/h4>\n<p>Chegamos no centro do quilombo e conhecemos um casal para dividir a guia, <strong>Ligia<\/strong>, com a gente. Ela \u00e9 Kalunga, como j\u00e1 diziam suas grandes tran\u00e7as muito bem arrumadas com uma fita azul e seu sotaque, enfeitado por pequenos \u201chums\u201d entre as palavras.<\/p>\n<p>A primeira parada foi a <strong>cachoeira da Capivara<\/strong>. Um \u00f3timo lugar para morar, se voc\u00ea for uma fada. Na falta de uma, s\u00e3o duas quedas d\u2019\u00e1gua. Pequenos peixinhos passando e montanhas a perder de vista. Um cen\u00e1rio satisfat\u00f3rio para descobrir que a companhia do casal que encontramos por acaso era tudo o que faltava.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2876 alignleft\" src=\"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-13-11.19.12-2.jpg\" alt=\"capivara2-solanomundo\" width=\"365\" height=\"274\" \/><\/p>\n<p>A mulher se chama Carol e trabalha na <strong>Funai<\/strong>. Puta coincid\u00eancia.<\/p>\n<p>Conversamos sobre meu futuro trabalho na Aldeia Multi\u00e9tnica e ela dividiu comigo alguns pontos negativos.<\/p>\n<p>Como o saneamento. Acompanhei melhor o racioc\u00ednio da Carol ao me dar conta de que nove tribos, de regi\u00f5es e costumes totalmente diferentes habitariam a mesma Aldeia por uma semana. <strong>Loucura<\/strong>.<\/p>\n<p>Fiquei um pouco apreensiva com a conversa mas ao mesmo tempo, animada para conhecer tantos povos.<\/p>\n<p>Eles topam esse perrengue pela oportunidade de falar sobre sua realidade e encontrar seus parentes na for\u00e7a. Conheci lideran\u00e7as que entram no pal\u00e1cio do planalto questionando os pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Para mim foi inspirador, muito mais para os \u00edndios mais novos. O <strong>Thiago<\/strong>, namorado da Carol, era t\u00e3o bacana quanto. Tinha um grande buriti nas costas e a parte da frente de seu corpo completamente rabiscada, fazendo refer\u00eancia a obra <em>Hist\u00f3ria da Loucura<\/em>, de <strong>Foucault<\/strong>.<\/p>\n<p>O dia j\u00e1 tinha sido legal desse tanto e eu ainda n\u00e3o tinha conhecido a tal da santa. Voltamos para o carro e a paisagem no caminho foi exatamente como eu imagino o <strong>fundo do oceano<\/strong>. Andamos um pouco e:<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright wp-image-2887\" src=\"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/IMG_20170712_151610.jpg\" alt=\"primeiropoco-solanomundo\" width=\"368\" height=\"276\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">UAU!<\/p>\n<p>Parei e fiquei olhando uma piscina azul com os olhos arregalados. Na mesma hora, a Ligia riu e falou que aquela <strong>ainda n\u00e3o era a cachoeira<\/strong>. Depois de me zuarem um pouquinho, fiquei muito empolgada em conhecer um lugar ainda mais bonito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Salve Santa B\u00e1rbara!<\/h4>\n<p>Santa B\u00e1rbara \u00e9 simplesmente A cachoeira. Sua piscina azul turquesa gigante \u00e9 emoldurada por imensos pared\u00f5es de pedra e uma mata verde escura.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2880 alignleft\" src=\"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1.jpg\" alt=\"santabarbara-solanomundo\" width=\"262\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1.jpg 585w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-300x300.jpg 300w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-146x146.jpg 146w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-50x50.jpg 50w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-75x75.jpg 75w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-85x85.jpg 85w, https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/2017-07-14-09.44.49-1-80x80.jpg 80w\" sizes=\"(max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o sabia o que fazer primeiro. Tirar foto, um mergulho ou uma medita\u00e7\u00e3o. Mas como j\u00e1 estava ficando frio, o que n\u00e3o iria melhorar, pulei com a Ju.\u00a0 A Carol j\u00e1 estava dentro e o Thiago foi depois. Por \u00faltimo o Andr\u00e9 e o Rafa n\u00e3o. Acho que ele n\u00e3o \u00e9 de experimentar tudo na pele como eu.<\/p>\n<blockquote><p>Sa\u00ed de l\u00e1 com frio mas com um calor no cora\u00e7\u00e3o.<\/p><\/blockquote>\n<p>J\u00e1 eram umas 5 da tarde e est\u00e1vamos famintos. O almo\u00e7o Kalunga foi melhor que a encomenda, como todas as vezes que almocei em um quilombo.<\/p>\n<p>Suco de tamarindo, peixe frito, verduras, arroz, feij\u00e3o e a estrela da tarde: <strong>macaxeira frita<\/strong>. Durante o banquete cada um contou um pouco mais de si. Na minha vez, o assunto foi esse blog que voc\u00ea est\u00e1 lendo.<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha tudo na minha cabe\u00e7a para o projeto <strong>Sola no Mundo\u00a0<\/strong>e, contagiados por minha empolga\u00e7\u00e3o, me desejaram muita <strong>sorte<\/strong>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-2881 alignright\" src=\"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-content\/uploads\/2017\/09\/IMG_20170712_171500.jpg\" alt=\"mesa-solanomundo\" width=\"341\" height=\"256\" \/><\/p>\n<p>O sol laranja foi se despedindo e um grande desenho no estilo <strong>Romero Britto<\/strong> em uma casa do quilombo virou o assunto da sobremesa. Como esse estilo chegou l\u00e1? Por que Britto e n\u00e3o arte Kalunga? Pelo menos \u00e9 brasileiro! O Andr\u00e9 n\u00e3o deixou a gente dividir a gasolina (valeu Andr\u00e9!) e acabei chegando muito tarde no camping para trabalhar.<\/p>\n<p>Me desculpei com a Anna muito mais tensa que ela. Decidi trabalhar dobrado no outro dia, mas, para compensar tanta beleza, trabalharia at\u00e9 mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como cheguei na Chapada dos Veadeiros J\u00e1 deu uma olhada nos sites de programas volunt\u00e1rios? Sou viciada neles! Tudo come\u00e7ou<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":2889,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[56,4],"tags":[],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2869"}],"collection":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2869"}],"version-history":[{"count":43,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2869\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4240,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2869\/revisions\/4240"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2869"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2869"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2869"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}