{"id":3391,"date":"2019-04-10T11:03:13","date_gmt":"2019-04-10T14:03:13","guid":{"rendered":"http:\/\/solanomundo.com.br\/?p=3391"},"modified":"2023-01-09T13:06:36","modified_gmt":"2023-01-09T16:06:36","slug":"bartira-menezes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/bartira-menezes\/","title":{"rendered":"Bartira Menezes, a herdeira da Festa do Divino"},"content":{"rendered":"<p>Bartira nasceu no bairro de F\u00e1tima, em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. L\u00e1 sua av\u00f3 Francisca era chamada de Dona Chiquinha e seu av\u00f4, Jos\u00e9 Maria, de Caxias. Bastava o sol baixar e o rel\u00f3gio marcar 6 para o resto da fam\u00edlia chegar, carregado de instrumentos. Leva os acordes de seu av\u00f4 e o timbre da voz de sua av\u00f3 para todos os lugares que canta e toca pelo Brasil.<\/p>\n<p>Cresceu tamb\u00e9m no Cruzeiro do Anil. Bairro do conhecido terreiro de tambor de mina Fanti Ashanti, para ela, a casa de seu tio. \u201cA gente ficava mais no terreiro na verdade\u201d, contou Bartira lembrando da inf\u00e2ncia. Conhecia a doutrina\u00e7\u00e3o da casa muito bem, mas era s\u00f3 passar da soleira que tomava ch\u00e1 de esquecimento. Sempre soube da import\u00e2ncia de se manter os segredos.<\/p>\n<p>Conheceu por sua fam\u00edlia as tradi\u00e7\u00f5es e brincadeiras populares mas acompanhava a\u00a0Quadrilha, o Reisado e a Dan\u00e7a do coco das ruas de S\u00e3o Lu\u00eds assim como as levas e mais levas de turistas chegando e partindo. Daniela Aquino foi uma destas. Mudou o rumo dessa hist\u00f3ria ao convidar Bartira, sua m\u00e3e Zez\u00e9 e suas tias Gra\u00e7a e Dindinha para uma oficina de caixa do Divino na Associa\u00e7\u00e3o Cachoeira, em S\u00e3o Paulo. Foi l\u00e1 que Bartira percebeu que sabia muito sobre diversos assuntos que n\u00e3o est\u00e3o na faculdade.<\/p>\n<p>Depois do sucesso da oficina, pediram uma demonstra\u00e7\u00e3o da festa do Divino. Para isso, mandaram do Maranh\u00e3o um \u00f4nibus lotado de coroas, roupas do imp\u00e9rios e instrumentos. A demonstra\u00e7\u00e3o se tornou a primeira, das dezoito festas que j\u00e1 foram celebradas na capital paulista. A cada ano novos ritos e rezas, como as famosas ladainhas para santos da igreja cat\u00f3lica, s\u00e3o incorporados. Tem pra Santo Ant\u00f4nio, S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Jos\u00e9, N.S. Aparecida, S\u00e3o Benedito e a indispens\u00e1vel novena de Santa Luzia.<\/p>\n<p>O compromisso com a Santa come\u00e7ou quando Bartira tinha uns oito anos e corria distra\u00edda no quintal de seu tio, para ver televis\u00e3o no vizinho. Entre as casas havia uma cerca de arame farpado, desgra\u00e7ada.<\/p>\n<p>Zez\u00e9 deu um grito por press\u00e1gio, mesmo de longe, no mesmo instante.<br \/>\nEncontrou sua pequena vestida de vermelho com as m\u00e3os nos olhos. A novena foi sua promessa, caso a filha voltasse a enxergar.<\/p>\n<p>O m\u00e9dico atestou\u2014O corte foi raso\u2014devolvendo o ar que lhe faltava.<\/p>\n<p>Bartira hoje comanda um projeto vision\u00e1rio.<\/p>\n<p>Movida pela sua miss\u00e3o que \u00e9 a festa do Divino, viajou para v\u00e1rias cidades do interior do Maranh\u00e3o. L\u00e1 conheceu diferentes formas de celebrar as tradi\u00e7\u00f5es e os ritos. Tais singularidades foram transformadas em uma webs\u00e9rie e um document\u00e1rio chamados: \u201cItiner\u00e2ncias de uma jovem caixeira\u201d<\/p>\n<p>Bartira sabe como ningu\u00e9m o tanto que uma equipe de filmagem pode atrapalhar. Por isso, pegar o melhor \u00e2ngulo nunca foi seu objetivo. &#8220;A ideia era filmar o que desse, com o m\u00e1ximo respeito&#8221; afirma. A diferen\u00e7a da diretora ser tamb\u00e9m a herdeira da tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 escutar, em falas t\u00e3o firmes quanto suas tran\u00e7as \u201cSai da\u00ed, n\u00e3o quero que passe na frente\u201d durante as filmagens.<\/p>\n<p>Descobriu em suas itiner\u00e2ncias festas de um dia, de quinze, de um m\u00eas. Sem nenhum homem, comandada por homens. Com muita e com pouca comida, sempre de gra\u00e7a. Atesta que n\u00e3o existe jeito errado. O intuito \u00e9 cultuar Deus seja qual for a possibilidade de cada regi\u00e3o. Est\u00e1 certo se sentir bem e fazer com amor.<\/p>\n<p>Indispens\u00e1vel se tornou manter a tradi\u00e7\u00e3o, que se perde com cada av\u00f3 caixeira que se vai sem passar seus c\u00e2nticos e ritos. &#8220;As caixeiras mais novas devem ter 60 anos\u201d conta. Isso acontece no Maranh\u00e3o todo. Ouviu em poucas cidades meninas e meninos querendo continuar a festa. Mas estes encontros alimentaram sua certeza de estar no caminho certo.<\/p>\n<p>Caminho que percorreu desta vez como observadora. Pedindo sempre licen\u00e7a para entrar nas casas e para os registros. Ensinou o que sabia e aprendeu, muito. Quando era convidada para cantar ou tocar um pouquinho o fazia emocionada.<\/p>\n<p>Sua ideia agora \u00e9 devolver em forma de oficinas o document\u00e1rio pronto em cada cidade que pisou. Tamb\u00e9m propor rodas de conversa, principalmente para os jovens, com a mensagem: \u201cOlha, isso aqui \u00e9 muito legal\u201d, que vem de seu cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Tudo para manter viva a tradi\u00e7\u00e3o, tanto em S\u00e3o Lu\u00eds quanto no interior. Se depender de Bartira, vai.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OeBLCyPYyhg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bartira nasceu no bairro de F\u00e1tima, em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. 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