{"id":3520,"date":"2018-06-04T23:47:23","date_gmt":"2018-06-05T02:47:23","guid":{"rendered":"https:\/\/solanomundo.com.br\/?p=3520"},"modified":"2021-11-18T17:15:45","modified_gmt":"2021-11-18T20:15:45","slug":"marcus-simon-o-musico-que-mistura-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/marcus-simon-o-musico-que-mistura-o-mundo\/","title":{"rendered":"Marcus Simon, o m\u00fasico que mistura o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Marcus Simon nasceu no Rio Grande do Sul e para infelicidade das panelas de sua m\u00e3e, j\u00e1 chegou batucando.<\/p>\n<p>Aos onze anos j\u00e1 tocava bateria e aos 17, chegava na capital paulista para uma faculdade de m\u00fasica. Apesar de seus questionamentos na \u00e9poca do vestibular, descobriu que<strong> sua voca\u00e7\u00e3o poderia sim, se tornar seu trabalho<\/strong>. Hoje participa de projetos bem diferentes, mas com uma pegada comum: Misturar sons do mundo inteiro, valorizar diferentes formas de express\u00e3o e criar algo totalmente novo.<\/p>\n<p>Toca nos shows de divulga\u00e7\u00e3o do novo disco <em>Terra e Lua <\/em>do\u00a0<strong>Gabriel Levy,\u00a0<\/strong>acordeonista do Mawaca, desde sua funda\u00e7\u00e3o em 95.\u00a0 O <strong>Mawaca<\/strong>\u00a0\u00e9 a uni\u00e3o de um <em>grupo vocal<\/em>, com letras em mais de 20 l\u00ednguas. De um <em>grupo ac\u00fastico<\/em>, com\u00a0acordeom, violoncelo, flauta, sax soprano e contrabaixo. E da <em>percuss\u00e3o<\/em>,\u00a0com as tablas indianas, derbak \u00e1rabe, djemb\u00e9 africano, berimbau,\u00a0vibrafone e pandeir\u00f5es do Maranh\u00e3o<em>.<\/em><\/p>\n<p>Assina tamb\u00e9m o espet\u00e1culo <strong>Tchiribim Tchiribom<\/strong>, que reune melodias do <em>Brasil, Nova Zel\u00e2ndia, China, It\u00e1lia, Senegal, Egito, Israel, Fran\u00e7a, M\u00e9xico e Jap\u00e3o<\/em> com novas letras, para crian\u00e7as. Elas foram adaptadas pelo compositor <strong>H\u00e9lio Zisking<\/strong> e interpretadas pela cantora\u00a0<strong>Fortuna Safdie<\/strong>.<\/p>\n<p>Seu trabalho de maior proje\u00e7\u00e3o foi no\u00a0<strong>Xaxado Novo<\/strong>, um bando de m\u00fasicos-pesquisadores que misturam o <strong>xaxado, bai\u00e3o e xote<\/strong> com a cultura ancestral <strong>\u00e1rabe<\/strong> e <strong>cigana<\/strong>. <em>Bruno Duarte, Marcus Simon, Davi de Freitas, Felipe Gomide e Eliezer<\/em> cantam e tocam, todos, mais de um instrumento. A melodia chamada <strong>Maqam<\/strong>\u00a0que veio do oriente, uniu-se a sanfona de oito baixos de <strong>Gonzag\u00e3o<\/strong>. O figurino \u00e9 meio caboclo, meio cangaceiro.<\/p>\n<p>Os cinco se dividem entre o surdo, o viol\u00e3o, a zabumba, o<strong> rebab<\/strong> (rabeca), o <strong>davul<\/strong> (tambor) e o <strong>riq<\/strong> (pandeiro) para formar um forr\u00f3 arretado, inspirado em grandes nomes como <em>Jackson do Pandeiro, Sivuca, Mestre Salustiano, Gonzaguinha, Dominguinhos, Marin\u00eas e Hermeto Pascoal<\/em>.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cEu sempre procuro tocar com m\u00fasicos de diversos lugares e destinos diferentes para aprender. Porque a m\u00fasica, a m\u00fasica \u00e9 muito ampla.\u201d conta.<\/p><\/blockquote>\n<p>Marcus lembra de quando tocou o primeiro disco do Xaxado, Sert\u00e3o Cigano, para milhares de pessoas no <strong>Holi Festival do Parque Ibirapuera<\/strong>, em S\u00e3o Paulo. Conta que apesar da enorme responsabilidade, n\u00e3o se trata da quantidade, mas sim da conex\u00e3o <em>\u201cJ\u00e1 fiquei muito mais nervoso tocando para poucas pessoas.<\/em>\u00a0Por estarem atentas, pr\u00f3ximas e mais integradas.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2010, Marcus esteve no <strong>Senegal<\/strong>, com um espet\u00e1culo de <strong>Maracatu<\/strong> e m\u00fasica pernambucana, onde p\u00f4de conhecer grupos incr\u00edveis de cultura popular de <strong>Martinica<\/strong> e <strong>Cabo Verde<\/strong>. Esse festival de m\u00fasica da Ilha de Gor\u00e9e acontece no \u00faltimo entreposto de escravos da hist\u00f3ria.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c<em>Tocar Maracatu dentro daquela antiga pris\u00e3o, com uma porta que d\u00e1 direto pro mar, foi muito marcante\u201d<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma de suas formas preferidas de fazer suas pesquisas musicais \u00e9 participar de eventos de cultura pelo Brasil como o <strong>Encontro de Culturas do Mundo<\/strong> em Imbassa\u00ed e o <strong>Encontro de\u00a0Culturas Tradicionais do Cerrado<\/strong>, na Chapada dos Veadeiros.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cN\u00e3o \u00e9 um curso t\u00e9cnico, s\u00e3o viv\u00eancias, ent\u00e3o isso acaba influenciando na nossa forma\u00e7\u00e3o como artista\u201d, conta, sobre o <em>aprender<\/em> em encontros.<\/p><\/blockquote>\n<p>Conheceu, em seu \u00faltimo evento, <a href=\"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/koki-e-pajarin-saveendra\/\">Koki e Pajar\u00edn Saveendra<\/a>, uma dupla de dan\u00e7a e m\u00fasica folcl\u00f3rica argentina. Eles o ensinaram sobre a semelhan\u00e7a da <strong>cultura argentina <\/strong>com a<strong> ga\u00facha brasileira<\/strong> sem falar uma palavra. Conta que sua fam\u00edlia n\u00e3o chega a usar <strong>bombacha<\/strong>, mas que foi criado no <strong>chimarr\u00e3o<\/strong>. Hoje, Marcus fala da import\u00e2ncia de exaltar a m\u00fasica de cada regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Acredito que o trabalho de preserva\u00e7\u00e3o e resgate \u00e0 cultura pode devolver o sentido de alma para a gente, como povo brasileiro.&#8221; E completa que, com a informa\u00e7\u00e3o muito f\u00e1cil, celulares e novas rela\u00e7\u00f5es, alguns jovens se mostram desinteressados em manter as ra\u00edzes da sua fam\u00edlia e da sua comunidade.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Acham que isso \u00e9 coisa de velho, n\u00e3o tem a consci\u00eancia da import\u00e2ncia de cuidar disso.&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa aliena\u00e7\u00e3o v\u00eam tamb\u00e9m de forma\u00e7\u00f5es escolares que n\u00e3o d\u00e3o tanta import\u00e2ncia ou n\u00e3o conseguem passar que estas culturas est\u00e3o vivas, comenta.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c\u00c9 praticamente imposs\u00edvel, \u00e9 inevit\u00e1vel, elas sofrem altera\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. Mas imagina se essas tradi\u00e7\u00f5es j\u00e1 tivessem terminado? Seria pior ainda, seria uma cat\u00e1strofe\u201d<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcus Simon nasceu no Rio Grande do Sul e para infelicidade das panelas de sua m\u00e3e, j\u00e1 chegou batucando. Aos<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3526,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[56,3],"tags":[],"wps_subtitle":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3520"}],"collection":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3520"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3520\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3573,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3520\/revisions\/3573"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3520"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3520"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/solanomundo.com.br\/sola\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3520"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}