
A ideia de começar – ou recomeçar – no jornalismo de viagem traz uma sensação comum, mas pouco verbalizada: a de estar atrasado, como se todos já tivessem encontrado seu lugar no mercado enquanto você ainda estivesse tentando abrir a porta certa. No 1º SOLA Talks de 2026, a fundadora do Sola no mundo, Raquel Pryzant, trouxe uma perspectiva mais realista e acolhedora sobre esse processo.
Segundo ela, a carreira no jornalismo de viagem dificilmente segue um caminho linear. É mais parecida com uma estrada cheia de retornos, desvios e atalhos. Em muitos casos, é justamente esse percurso que constrói repertório, conexões e posicionamento.
A seguir, reunimos sete aprendizados compartilhados por Raquel para quem quer começar ou recomeçar no jornalismo de viagem. Confira!

WTM, a maior feira de turismo da América Latina
Quando se fala em networking no jornalismo de viagem, não se trata apenas de fazer contatos de forma genérica. Trata-se de mapear o mercado e entender quem são os principais tomadores de decisão.
“O jornalismo de viagem funciona muito por indicação. É assim que muita oportunidade aparece”, explicou Raquel, que também destaca a importância de identificar editores de revistas e portais, assessores responsáveis por destinos, jornalistas, creators e profissionais que atuam diretamente na cadeia do turismo. Esse reconhecimento muda a forma como o profissional se posiciona e como passa a circular no mercado.
Feiras e eventos como WTM Latin America, seminário da ABBV e Festuris concentram grande parte desses players. Neste caso, mais do que participar, o objetivo é observar, criar relações e entender como o mercado se organiza.
A etapa prática envolve acompanhar essas pessoas nas redes, observar com quais marcas se relacionam, quais assessorias os colocam em viagens e por quais motivos. Esse olhar estratégico ajuda a compreender o funcionamento real do jornalismo de turismo. “Estar sempre sendo visto é muito importante nesse mercado.”, conclui a fundadora do Sola no mundo.
Raquel lembrou que, durante muitos anos, a credibilidade no jornalismo de viagem estava quase exclusivamente ligada à publicação em veículos tradicionais. A pergunta recorrente era: “Você escreve para onde?”.
Esse cenário mudou. Hoje, ter um canal próprio pode ter mais poder de mobilização do que muitos programas de TV. Instagram, blog, newsletter, podcast e YouTube passaram a funcionar como ferramentas de construção de autoridade.
Criar o próprio canal permite não apenas produzir conteúdo, mas também construir narrativa, público e posicionamento. É uma forma de não depender exclusivamente de convites externos para existir profissionalmente.

Embora plataformas como Instagram e TikTok sejam importantes para alcance, o YouTube se destaca pela durabilidade do conteúdo.
Ela citou como exemplo um vlog publicado em 2018 sobre o trekking no Monte Roraima, que ainda hoje gera mensagens, pedidos de indicação e buscas por informações. Esse comportamento mostra como o YouTube e o blog funcionam como formatos duradouros, em que o conteúdo continua sendo encontrado ao longo do tempo em pesquisas.
Enquanto vídeos curtos tendem a desaparecer rapidamente do feed, conteúdos no YouTube seguem aparecendo em buscas e recomendações, fortalecendo a assinatura do criador no longo prazo.
Para se destacar na plataforma, Raquel reforçou a importância do storytelling, da construção de narrativa e da perspectiva pessoal sobre os destinos.

Uma das maiores dificuldades para quem está começando é conquistar o primeiro espaço que publique, valide e assine o conteúdo junto com o jornalista.
O portfólio pode incluir veículos tradicionais, mas também projetos pessoais bem estruturados, com consistência, identidade editorial e assinatura. Esse conjunto funciona como chancela profissional.
Raquel também destacou o papel dos afiliados como parte estratégica do portfólio. Mais do que publicar links, trata-se de gerar resultado, mostrar performance e construir um projeto sustentável, que una conteúdo e viabilidade financeira.

“Se você não comunica o seu trabalho, o mercado não vai adivinhar”.
Isso porque, no jornalismo de viagem, produzir bem é essencial, mas não suficiente. Mostrar o trabalho também faz parte da profissão.
Compartilhar matérias, repostar conteúdos com bom desempenho e apresentar links assinados ajudam a construir reconhecimento. No ambiente digital, quem não comunica o que faz corre o risco de se tornar invisível, mesmo com entregas de qualidade.

Parcerias devem ser encaradas como decisões estratégicas. Mais do que volume, importa escolher colaborações que conectem o profissional a marcas, assessorias e projetos alinhados com o posicionamento desejado.
“Algumas marcas e projetos funcionam como pontes para onde você quer estar.”
No início da carreira ou em momentos de recomeço, essas parcerias podem ser determinantes para gerar tração, ampliar visibilidade e construir credibilidade no mercado.

Mesmo atuando em editorias gerais, é possível direcionar a carreira para o jornalismo de viagem por meio da sugestão de pautas relacionadas a turismo, destinos, mobilidade, cultura, natureza e experiências.
Raquel também destacou duas áreas frequentemente ignoradas: o trade turístico e a assessoria de imprensa de turismo. O turismo é uma indústria que envolve hard news, investimentos, novos voos, abertura de hotéis, fusões, tendências e dados de mercado.
Trabalhar com esses temas mantém o profissional no centro do ecossistema de viagens e amplia repertório, fontes e networking.

Para quem quer acelerar o processo e estruturar a carreira com mais clareza, Raquel Pryzant acabou de abrir a terceira turma de mentoria individual em jornalismo de viagem. O programa inclui quatro encontros online personalizados, com foco em entender o mercado, construir marca pessoal, desenvolver storytelling, estruturar portfólio e definir caminhos reais de monetização.
Cada aluno segue um plano adaptado à sua fase profissional, com orientação prática para transformar ideias em projetos concretos, como blog, canal no YouTube, podcast, newsletter ou perfil profissional. A mentoria também inclui acompanhamento, feedbacks e direcionamento estratégico para que o projeto saia do papel e comece a rodar.
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