
Participar de uma feira como a WTM Latin America 2026 vai muito além de circular entre estandes. Existe um ritmo próprio, uma lógica de funcionamento e, principalmente, uma forma mais inteligente de aproveitar o que acontece ali dentro, algo que nem sempre fica evidente para quem chega pela primeira vez.
Em um encontro recente do SOLA Talks, a criadora de conteúdo e produtora Monique de Oliveira, do canal @viajecomamo compartilhou junto à Raquel Pryzant, fundadora do SOLA, uma série de aprendizados práticos sobre como se preparar, se posicionar e, principalmente, transformar presença em oportunidade real dentro da feira.

A jornalista Monique de Oliveira trabalhou por anos nos realities da Record TV, hoje se dedica ao conteúdo de viagems/Foto: Monique de Oliveira.
“As feiras de turismo permitem viajar para lugares sem nunca ter ido”, resume Monique. E essa talvez seja uma das formas mais interessantes de olhar para a WTM: como um espaço onde destinos se apresentam, contam suas histórias e tentam conquistar atenção em poucos minutos.
Nesse contexto, os estandes mais criativos acabam ganhando protagonismo. Aqueles que oferecem experiências, ativações ou até brindes se tornam não só mais atrativos para o público, mas também matéria-prima para criação de conteúdo. Registrar esses momentos, segundo ela, é uma forma simples e eficiente de traduzir a energia da feira.
Não precisa ser algo complexo ou super produzido. Pelo contrário, formatos mais simples, como entrevistas rápidas, bastidores e registros espontâneos, funcionam muito bem. Monique sugere o famoso “povo fala” como uma estratégia eficiente para captar a essência do evento.
Tanto Monique quanto Raquel reforçam um ponto essencial: saber com quem falar faz mais diferença do que falar com muitos. Falar com as pessoas certas é mais importante do que falar com todo mundo.
Para isso, primeiro, defina quais são seus objetivos ao comparecer na feira, quais destinos e experiências mais te interessam. Em seguida, entenda como se apresentar e o que você pode contribuir em propostas que surgirem.
Então, procure as pessoas certas. Em vez de abordagens genéricas, o foco deve estar em identificar quem realmente tem poder de decisão, como profissionais de marketing e assessorias de imprensa.
E por fim, escute o que eles tem para falar, faça parte da troca: escute e entenda o que aqueles representantes estão procurando, qual o objetivo deles em marcar presença na feira, quais os objetivos dos destinos representados. Assim, você consegue estruturar propostas e projetos que alinhem o que você pode entregar com o que estão procurando. Essa leitura muda completamente a qualidade das conversas.
Outro ponto importante é o uso de ferramentas como o agendamento prévio de reuniões, que ajuda a organizar melhor o tempo e evitar abordagens aleatórias. Quando há um mínimo de planejamento, a experiência se torna mais eficiente e menos desgastante.

WTM Latin America 2025/ Foto: Divulgação
Raquel entende que um dos pontos mais importantes é entender que nem todos os dias da WTM funcionam da mesma forma. O primeiro dia concentra o público mais disposto, com agendas abertas e maior receptividade para conversas e conexões.
Já os últimos dias tendem a ser mais lentos, com estandes começando a desacelerar. Por isso, faz diferença concentrar reuniões e abordagens nos dois primeiros dias, especialmente no período da manhã, quando a energia da feira ainda está alta e as trocas fluem melhor.
Raquel Pryzant reforça que, enquanto muita gente acha que o trabalho termina na feira, existe uma WTM Latin America 2026 fora do pavilhão. Além da programação oficial, a feira se estende para encontros paralelos, eventos de marcas e momentos informais que acontecem antes e depois do horário oficial. Esses espaços costumam ser mais descontraídos e, muitas vezes, mais produtivos para criar conexões genuínas.
Além disso, os contatos feitos na WTM só se transformam em oportunidades reais se houver um follow-up rápido e direcionado. Idealmente, ainda na mesma semana. E mais importante do que mandar uma mensagem genérica é retomar a conversa de forma específica, mostrando que houve atenção.
É isso que diferencia quem só passou pela feira de quem realmente aproveitou.
Participar da WTM, segundo ambas profissionais, é, antes de tudo, uma oportunidade de posicionamento. Não apenas como criador de conteúdo ou jornalista, mas como alguém que entende o mercado, lê cenários e constrói relações com intenção.
No fim, o que define o resultado não é quantos estandes foram visitados, mas quantas conversas realmente avançaram, e o quanto aquela presença foi capaz de se desdobrar em oportunidades concretas depois que a feira termina.
O SOLA Talks é o encontro online promovido pelo SOLA para discutir os bastidores do jornalismo de viagem, mercado editorial, press trips e tendências do turismo.
O próximo SOLA Talks já está sendo preparado. Entre no grupo e não perca as atualizações.