

Tem viagem que começa antes mesmo de você abrir o Google Flights. Às vezes, ela nasce ali, no escuro da sala de cinema, quando uma paisagem prende mais do que o próprio roteiro e fica reverberando na cabeça por dias. A temporada do Oscar 2026 chega com esse efeito colateral delicioso: transformar cenários em desejo.
O chamado set-jetting, quando filmes e séries influenciam diretamente escolhas de viagem, já vem moldando o comportamento de viajantes há alguns anos. E, segundo um levantamento da Nomad, esse movimento ganha ainda mais força em momentos como a temporada do Oscar, quando produções em destaque na crítica, inclusive em plataformas como a Rotten Tomatoes, colocam destinos inteiros em evidência.
Além das cenas e cenários, esses lugares passam a ocupar um espaço emocional. Eles deixam de ser apenas coordenadas no mapa e viram experiências desejadas. A partir dessa leitura, a Nomad mapeou destinos que aparecem em filmes cotados ao Oscar 2026 e que têm tudo para entrar no radar de viajantes nos próximos meses.

Letreiro Hollywood, em Los Angeles, na Califórnia/ Foto: Unsplash.
Tem um tipo de viagem que não é sobre chegar, mas sobre percorrer, e poucos lugares traduzem isso tão bem quanto a Califórnia e o Texas, dois estados que continuam alimentando o imaginário cinematográfico americano.
É exatamente essa atmosfera que aparece em Uma Batalha Após a Outra (2025), dirigido por Paul Thomas Anderson e estrelado por Leonardo DiCaprio, produção ambientada na Califórnia dos anos 1980 e filmada em cidades como Eureka, Sacramento e San Diego, além de trechos no Texas.
Assistir ao filme dá aquela vontade imediata de alugar um carro, montar uma playlist boa e sair sem pressa, vivendo a sensação de liberdade que só uma road trip bem feita entrega.
É exatamente o tipo de experiência que, segundo a Nomad, tem ganhado força entre viajantes que buscam roteiros mais autorais.
O Mississippi Delta carrega uma identidade tão forte que quase dá para ouvir música mesmo quando a cena está em silêncio. Em Pecadores, a região aparece como elemento central da narrativa, com destaque para cidades como Clarksdale, um dos berços do blues.
Aqui, o território não é apenas pano de fundo, mas parte ativa da construção da história. Ah, e além do visual, tem som: muito blues tocando.
Para quem viaja, isso se traduz em uma experiência mais profunda: sentir o lugar, entender de onde ele vem e por que ele continua tão presente no imaginário coletivo. Essa é uma tendência que, de acordo com a Nomad, acompanha o crescimento do interesse por viagens mais conectadas à cultura local.

No noroeste dos Estados Unidos, paisagens naturais e antigas rotas ferroviárias ajudam a construir o cenário de Sonhos de Trem/ Foto: Unsplash
Em Sonhos de Trem (Train Dreams), ambientado no início do século XX, o cenário é outro tipo de Estados Unidos. Mais silencioso, mais bruto e mais ligado à natureza.
A história acompanha a vida de um trabalhador nas áreas rurais do noroeste do país, especialmente na região do Idaho Panhandle. Para recriar o período histórico, a produção utiliza paisagens naturais e antigas rotas ferroviárias, com filmagens realizadas em cidades do estado de Washington, como Tekoa, Snoqualmie, Spokane, Metaline Falls e Colville.
É o tipo de cenário que não entrega tudo de imediato e talvez por isso mesmo, desperta uma vontade diferente de viajar: mais contemplativa, conectada ao tempo e ao espaço.

Entre arranha-céus e história, Nova York ganha novos contornos no cinema ao revisitar a energia da Manhattan do pós-guerra/ Foto: Unsplash
Nova York nunca sai de cena. Mas, no cinema, ela sempre encontra uma forma de parecer nova. Em Marty Supreme, estrelado por Timothée Chalamet, a cidade aparece sob a lente da década de 1950. A trama acompanha a ascensão de um jovem no universo competitivo do tênis de mesa, em meio à atmosfera vibrante da Manhattan do pós-guerra.
O interessante aqui é como o cinema transforma o olhar para além de apenas conhecer Nova York pela primeira vez. Revisitar a cidade em outro tempo, com outra energia, segundo a Nomad, também influencia a decisão de retorno a destinos já conhecidos.

Parque Vigeland, em Oslo/ Foto: Unsplash
A capital norueguesa é o cenário principal de Valor Sentimental (2025), dirigido por Joachim Trier. A história se passa em Oslo, uma cidade que combina arquitetura contemporânea, museus e paisagens naturais de forma muito particular. Cercada por fiordes, enormes vales rochosos inundados pelo mar, e áreas verdes, a capital escandinava reúne cultura e natureza em um mesmo cenário.
Esse equilíbrio ajuda a explicar por que a cidade tem atraído produções do cinema europeu contemporâneo, e também viajantes que buscam experiências que misturam estética, cultura e contemplação.

Castelo de Kronborg, na cidade de Helsingør, na Dinamarca, cenário inspiração para Hamnet: A vida antes de Hamlet/ Foto: Unsplash
Poucas histórias atravessaram o tempo como Hamlet. E agora, a narrativa ganha um novo olhar em Hamnet: A vida antes de Hamlet, apontado como um dos títulos da temporada.
A trama remete a Elsinore, nome em inglês da cidade de Helsingor, onde está localizado o histórico Kronborg Castle. Construído no século XVI e reconhecido como Patrimônio Mundial da UNESCO, o castelo ocupa uma posição estratégica no estreito que separa a Dinamarca da Suécia.
Com suas torres imponentes, muralhas preservadas e vista para o mar Báltico, o local se tornou um dos destinos mais emblemáticos do país, especialmente para quem se interessa por literatura, história e cenários que fazem parte do imaginário cultural europeu.

Edimburgo, na Escócia, onde ruas de pedra e construções históricas ajudam a compor a estética gótica que atravessa o cinema/ Foto: Unsplash
A clássica história de Frankenstein ganha uma nova adaptação dirigida por Guillermo del Toro, inspirada na obra de Mary Shelley e já apontada como uma das produções fortes da temporada do Oscar 2026.
Ambientado na Europa do século XIX, o filme destaca a atmosfera sombria de Edimburgo, capital da Escócia, que aparece com toda a sua estética gótica: ruas de pedra, arquitetura medieval e vistas dramáticas sobre colinas e castelos.
A cidade já carrega essa aura naturalmente. No cinema, ela só se intensifica, o que ajuda a explicar por que Edimburgo segue como cenário frequente de produções e também como destino cada vez mais desejado por viajantes interessados em história, literatura e experiências culturais mais imersivas.
Um filme não precisa só contar uma história (e ganhar prêmios), ele pode plantar uma vontade. No fundo, esse é o papel da arte: nos tirar do lugar, despertar curiosidade e criar repertórios culturais. Às vezes, é justamente daí que nasce uma viagem: primeiro como fascínio, depois como desejo, e só então como roteiro.