

O imaginário dos viajantes brasileiros de alto padrão está mudando e os destinos mais desejados para 2026 deixam isso evidente. Segundo o novo relatório de tendências da ILTM Latin America em parceria com a Panrotas, o topo da lista de países ainda não visitados é liderado pelo Japão, seguido por Itália, China, Grécia e Suíça.
O ranking chama atenção menos pela lista em si e mais pelo que ele representa. O Japão, que há poucos anos dividia espaço com destinos clássicos europeus, agora assume a liderança e consolida um movimento que já vinha se desenhando: o interesse crescente por experiências fora do eixo Europa–América do Norte.
Na prática, isso indica um público mais aberto, mais curioso e menos guiado por roteiros óbvios.
A liderança do Japão reflete um movimento que já vinha ganhando força nos últimos anos. O destino tem investido de forma contínua no mercado brasileiro, com presença recorrente na ILTM Latin America e aproximação com o trade turístico.
Além disso, o momento é simbólico. Em 2025, Brasil e Japão celebraram 130 anos de relações diplomáticas, um marco que reforçou ainda mais o interesse pelo destino.

Viajantes brasileiros estão priorizando experiências únicas e ritmo mais lento/ Foto: Unsplash
Para Susumu Matsumoto, diretor executivo da JNTO em Nova York e responsável pelo mercado brasileiro, o Japão vive uma fase especialmente relevante. Segundo ele, o país está mais acessível do que nunca, especialmente com planejamento adequado e suporte de especialistas, além de oferecer uma diversidade de experiências que vai muito além dos ícones tradicionais.
Outro dado que ajuda a entender essa mudança é o papel cada vez mais relevante da curadoria. O estudo aponta que 84% dos entrevistados valorizam mais o apoio de consultores especializados do que a pesquisa ilimitada na internet.

Ravello, na Itália, país que também está no ranking de destinos dos brasileiros de alto padrão, segundo ILTM/ Foto: Unsplash
Isso diz muito sobre o momento do turismo de luxo. Os viajantes não querem acumular destinos, mas viver experiências bem construídas, com roteiro enxuto, mas pensado em detalhe. A lógica é menos sobre quantidade e mais sobre profundidade.
Para Simon Mayle, diretor da ILTM Latin America, essa dinâmica também está diretamente ligada à forma como destinos se posicionam no mercado. Segundo ele, a ILTM funciona como uma plataforma estratégica de visibilidade e relacionamento, permitindo que países e marcas construam presença consistente junto aos principais agentes e operadores do setor.
Sendo assim, neste cenário, agentes e especialistas deixam de ser intermediários e passam a ocupar um papel estratégico na construção da viagem.

Oia, Santorini, na Grécia, que oferece opções de roteiros mais lentos e hospedagens que oferecem experiências únicas/ Foto: Unsplash
Entre os destinos que seguem em destaque, a Suíça consolida sua presença no mercado brasileiro de alto padrão com uma estratégia consistente.

Suiça mais uma vez marca presença no ranking da ILTM/ Foto: Unsplash
O país celebra uma década de participação na ILTM Latin America e, em 2026, leva sua maior delegação ao evento, com 26 representantes. Isso é um reflexo direto do crescimento do interesse do público brasileiro.
A proposta gira em torno do conceito de “Swiss Silent Luxury”, que valoriza autenticidade, excelência na hospitalidade e experiências exclusivas em ambientes naturais preservados.
Além disso, a estratégia “Travel Better” tem incentivado viagens fora da alta temporada e estadias mais longas. Dados recentes mostram aumento no número de brasileiros viajando à Suíça no outono, além do crescimento na venda de passes de maior duração, um indicativo de viagens mais profundas e menos apressadas.

Rotas panorâmicas de trem na Suiça é uma das experiências autênticas que viajantes buscam no destino/ Foto: Unsplash
O estudo mostra que esse público já possui repertório internacional amplo e busca propósito, conforto e vivências memoráveis em suas escolhas. Entre os critérios prioritários estão a qualidade dos serviços, o acesso a experiências exclusivas e a excelência das atrações, fatores que superam o preço na tomada de decisão.
A tendência aponta para viagens com ritmo mais lento, maior conexão com a cultura local, o território e as experiências autênticas oferecidas. Além disso, a influência de tendências momentâneas é limitada: apenas 11,76% afirmam escolher destinos com base no hype.

China entra no ranking dos destinos mais desejados para viagens de alto padrão em 2026/ Foto: Unsplash
O estudo também mostra que 32% dos viajantes brasileiros de alto padrão consideram diversidade e inclusão fatores fundamentais na escolha de um destino, enquanto 25% avaliam a sustentabilidade como um aspecto relevante. Os dados indicam um comportamento mais consciente e alinhado a valores de longo prazo.
Entre os interesses, o turismo de sol e praia permanece como preferência, seguido por viagens gastronômicas e roteiros histórico-culturais. O crescimento do turismo de shows e espetáculos também aparece como tendência, impulsionado pela alta demanda por eventos internacionais.
Além disso, a influência das redes sociais segue relevante, especialmente quando vem de pessoas próximas. Enquanto isso, o set-jetting, com viagens inspiradas por filmes e séries, continua estimulando novos desejos.
No fim, o que move essas viagens permanece simples: conhecer novos lugares, descansar e viver experiências únicas.