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Bruna Lisboa, criadora de conteúdo sobre viagens, fala sobre como construir parcerias

Tempo de leitura: 4 minutos

Bruna Lisboa em Cape Town/ Foto: Instagram

No 7º  do SOLA Talks de 2026, a convidada Bruna Lisboa, criadora de conteúdo e nômade digital fala sobre sua trajetória a partir de três pilares claros: travel, adventure e kite surfing. Em conversa com Raquel Pryzant, o encontro partiu de um ponto direto: como transformar presença digital em parcerias consistentes e, principalmente, sustentáveis.

“O media kit é o primeiro contato mais aprofundado que a marca vai ter com você”, explicou Bruna. “Porque, no perfil, ela vai passar no máximo 40 segundos.”

Media kit que comunica antes de explicar

O material de Bruna, já utilizado como referência em aulas e mentorias, parte de uma lógica simples: menos texto, mais clareza visual.

“Eu tenho preguiça de ler coisa muito carregada, então meu media kit reflete isso”, disse. “Ele precisa ser dinâmico.”

A estrutura privilegia imagem, ritmo e leitura rápida, com pilares bem definidos logo na abertura e uso de “respiros” no layout. A inclusão de vídeos e prints reais de desempenho também entra como estratégia de credibilidade. Segundo a criadora de conteúdo, colocar números só escritos não tem o mesmo impacto que mostrar o print. Por isso, a prova social precisa ser visual.

Outro ponto reforçado foi a importância de versões em português e inglês. “Se você quer trabalhar com marcas internacionais, isso não é opcional.”

Bruna Lisboa em viagem à Holanda/ Foto: Instagram

Prospecção ainda é manual e exige insistência

Apesar da existência de plataformas intermediadoras, Bruna foi direta sobre onde estão as oportunidades mais consistentes.

“Eu uso plataformas, mas não espero por elas. A prospecção precisa ser ativa.” O caminho, segundo ela, ainda passa pelo cold mail e pelo desconforto de insistir. “Eu fechei contrato com a Wise depois de três ou quatro tentativas. Se eu tivesse parado na primeira, não teria acontecido.”

A lógica é simples: marcas recebem dezenas de contatos por dia e a ausência de resposta raramente é pessoal. Ela explica que, às vezes, quem ignorou a proposta pode nem está mais na empresa três meses depois.

Bruna Lisboa, criadora de conteúdo e viajante, em Cape Town/ Foto: Instagram

Proposta genérica não funciona mais

Mais do que enviar um e-mail, o que diferencia é a capacidade de traduzir valor. “Não adianta mandar mensagem genérica. A marca quer entender como você entra no universo dela.” Nesse processo, a tecnologia entra como aliada, e usar IA, de acordo com Bruna, ajuda a otimizar esse processo.

A personalização, no entanto, não está apenas no texto, mas na proposta em si: mostrar como o conteúdo resolve um problema ou abre uma nova frente de comunicação.

Valor, consistência e posicionamento

Um dos principais pontos do encontro foi a quebra da lógica puramente quantitativa. Como destacou Bruna Lisboa, o valor de um creator não está necessariamente no número de seguidores, mas na capacidade de entrega: “Seu valor pode estar na sua direção criativa, na sua escrita, na qualidade do seu vídeo.”

A criadora citou trabalhos em que foi contratada não pela audiência, mas pela visão estratégica. Nesse contexto, parcerias de longo prazo surgem como um caminho mais sólido. “Quando você fecha três meses com uma marca, o conteúdo fica mais natural e o retorno tende a ser melhor.” Além de fortalecer a narrativa, esse modelo traz previsibilidade financeira, ainda pouco comum no mercado.

Por outro lado, mesmo com a crescente profissionalização, o conteúdo orgânico segue como base de tudo, porque se o público entender que o criador posta apenas publicidade, ele automaticamente deixa de engajar tanto.

A recomendação é manter uma produção consistente que revele linguagem, repertório e conexão real com a audiência. É esse conteúdo que sustenta a credibilidade e, consequentemente, atrai marcas.

Ao mesmo tempo, o nicho deixa de ser uma limitação e passa a ser um direcionamento. Creators podem e devem expandir suas possibilidades, desde que exista coerência narrativa.“Você pode trabalhar com marcas fora do seu nicho, desde que faça sentido para a sua história.”

São Miguel do Gostoso é um dos destinos que Bruna Lisboa foi à convite/ Foto: Instagram

Proatividade como diferencial competitivo

Mais do que estratégia, o encontro reforçou uma postura. “Você precisa se empurrar para dentro da marca. Cria o problema e depois apresenta a solução.” A persistência aparece como um dos principais diferenciais, especialmente em um cenário onde respostas nem sempre chegam. O follow-up, muitas vezes negligenciado, é parte essencial do processo.

O que fica é uma mudança clara de mentalidade: creators deixam de ser apenas canal de mídia e passam a atuar como parceiros estratégicos. Bruna Lisboa finaliza afirmando que o criador precisa focar no que ele já tem de bom e ampliar isso, e não no que está faltando.

Consistência, clareza e insistência seguem como pilares, menos visíveis que números, mas decisivos na construção de uma carreira sólida.

Sobre o SOLA Talks

O SOLA Talks é o encontro online promovido pelo SOLA para discutir os bastidores do jornalismo de viagem, mercado editorial, press trips e tendências do turismo.

O próximo SOLA Talks já está sendo preparado. Entre no grupo e não perca as atualizações.

Fernanda Antônia
Fernanda Antônia
Formada em Jornalismo pelo Mackenzie, Fernanda Antônia Bernardes atua no ramo de marketing de influência e como repórter de viagens no Sola no Mundo, criando conteúdos que unem informação prática e inspiração sobre Lua de Mel, viagens Pet Friendly e roteiros pelo Brasil e Europa.