

A ILTM Latin America 2026 anunciou sua maior edição já realizada e reforça, neste ano, um movimento que vem transformando o turismo de luxo global: o desejo por viagens que gerem conexão, impacto e significado. Guiada pelo tema “Journeys That Matter”, a feira reúne 550 marcas de turismo de luxo e 550 agentes de viagem de 85 cidades em 11 países, em uma edição que propõe olhar o turismo para além da experiência estética e do consumo.
A proposta da ILTM Latin America parte da ideia de que o viajante contemporâneo busca cada vez mais experiências alinhadas a propósito, regeneração ambiental, herança cultural e transformação social. Como parte dessa reflexão, o evento realizou um mapeamento entre seus expositores para identificar iniciativas ligadas à sustentabilidade, educação, preservação ambiental e impacto comunitário.
Segundo Simon Mayle, diretor da feira, a exposição dos projetos amplia o papel do evento dentro da indústria. “A exposição dos projetos é um convite para uma conversa mais profunda sobre o turismo de luxo como um agente ativo de mudança, capaz de gerar valor não apenas econômico, mas também social, cultural e ambiental”, afirma.

Casa do Rio em projeto apoiado pelo Rosewood São Paulo/ Foto: Divulgação
Entre os projetos apresentados, iniciativas de diferentes partes do mundo mostram como hospitalidade e desenvolvimento local podem caminhar juntos. Nas Maldivas, o programa Fehikuramaa, da Velaa Private Island, atua em múltiplas ilhas promovendo educação, saúde e sustentabilidade. Já no Brasil, o Instituto Amigos do NANNAI transforma a hotelaria em ferramenta de mobilidade social, oferecendo formação profissional e geração de renda para famílias locais.
No Rio Grande do Norte, o Hello Pipa Collective, apoiado pelo Filha da Lua, conecta educação, agricultura regenerativa e empreendedorismo local. Em Lisboa, o Four Seasons Hotel Ritz Lisbon atua na redistribuição de excedentes alimentares para comunidades em situação de vulnerabilidade.

Hello Pipa Collective, apoiado pelo Filha da Lua/ Foto: Divulgação
A edição também evidencia como hotéis, operadoras e experiências vêm reposicionando o turismo como agente de regeneração ambiental. No Rio de Janeiro, o Janeiro Hotel apoia projetos de restauração da vegetação nativa da restinga, enquanto iniciativas da Aqua Expeditions atuam no combate à poluição plástica em rios e oceanos.
Na Amazônia, o Juma Amazon Lodge estrutura sua operação a partir de energia solar e práticas de baixo impacto ambiental. Já na África, a Natural Selection Safaris desenvolve projetos de monitoramento e recuperação de áreas naturais anteriormente utilizadas para agricultura.
Outro destaque é o programa Swisstainable, iniciativa nacional da Suíça que reúne mais de 2.500 empresas em torno de práticas responsáveis no turismo, incentivando viagens que preservam paisagens, cultura e qualidade de vida das comunidades locais.

Fehikuramaa, da Velaa Private Island/ Foto: Divulgação
A valorização da herança cultural e dos saberes tradicionais também aparece como um dos pilares centrais desta edição. O projeto GUDAO, da WildChina, transforma antigas rotas ancestrais em experiências imersivas que conectam viajantes às comunidades locais e às tradições da região.
Na Europa, a A La Carte Travel desenvolve roteiros centrados em produtores locais, agricultores e guias regionais, enquanto a Leading Hotels of the World reconhece propriedades que conciliam sustentabilidade e identidade cultural. No Brasil, a parceria entre Rosewood Hotels & Resorts e a ONG Casa do Rio reforça esse olhar para preservação comunitária e apoio a territórios amazônicos.

Phinda Game Drive Experience, da &Beyond/ Foto: Divulgação
Mais do que uma vitrine de destinos e hotéis, a ILTM Latin America 2026 sinaliza uma transformação importante no comportamento do viajante de alto padrão. Em vez de apenas consumir lugares, cresce o interesse por experiências que gerem impacto positivo, fortaleçam comunidades e criem relações mais conscientes com os territórios visitados.
Nesse novo cenário, o luxo deixa de estar associado apenas à exclusividade e passa a incorporar valores como regeneração, legado cultural, aprendizado e conexão humana.