

Há uma cidade brasileira onde os termômetros já marcaram −17°C, cachoeiras congelam no inverno e as araucárias cobrem os campos como nas pinturas de Caspar David Friedrich.
Urubici, em Santa Catarina, faz parte do Caminho das Neves e os picos chegam a mais de 1.800 metros no Morro da Igreja, o ponto habitado mais alto do Sul do Brasil.
A Serra Catarinense ocupa o planalto sul de Santa Catarina e reúne algumas das paisagens mais surpreendentes do país: campos de altitude, vales cobertos de neblina, pinheiros-do-paraná centenários e temperaturas que desafiam qualquer ideia de Brasil tropical.
São cidades como São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urubici que formam esse circuito, cada uma com sua própria identidade.

O ponto turístico Pedra Furada está localizado no Parque Nacional de São Joaquim. O acesso é gratuito, mas exige agendamento prévio / Foto: Unsplash
O roteiro sai do óbvio, o trânsito desaparece e, com ele, a pressa. A trilha sonora é o barulho do vento entre as árvores e quem dita o enredo são os pássaros. O destino é para aqueles que desfrutam da natureza e calmaria.
Um conjunto de hospedagens pequenas, exclusivas e com identidade própria foram construídas por pessoas que escolheram a serra com intenção.

Green Barn Hotel fica localizado na Estrada Geral do Invernador / Foto: Divulgação
A dez minutos do centro, na Estrada do Invernador, o Green Barn ocupa uma propriedade cercada de mata nativa onde os proprietários transformaram o conceito de hospitalidade em algo quase familiar.
As “villas”, como são chamadas, são construídas em madeira de reflorestamento, com painéis de vidro do chão ao teto, sauna a vapor privativa e banheira de imersão voltada para o vale. O estilo é um exemplar tupiniquim do quiet luxury. O café da manhã é feito com produtos próprios e locais. Já o bistrô do hotel, elogiado nas avaliações como o melhor da cidade, funciona para hóspedes e, mediante reserva, para visitantes.

Benta Rosa Chalés de Luxo fica localizado no Parque das Araucárias / Foto: Divulgação
Instalados no alto do Morro da Igreja, a 1.450 metros de altitude, na mesma região onde a neve pode aparecer, os chalés do Benta Rosa têm propostas distintas.
O A-Frame possui banheira de hidromassagem com cromoterapia posicionada para a vista do penhasco, deck com passarela de vidro suspensa e adega. O Iglu é inspirado na Finlândia, tem domo transparente no teto e deck suspenso a 8 metros de altura. Você dorme olhando para o céu estrelado ou para a neblina que sobe do vale ao amanhecer.
Já o Chalé Imperial (foto) possui piscina aquecida com vista para o nascer do sol, banheiras vitorianas de imersão, mobiliário com detalhes folheados a ouro e jardim neoclássico com chafariz. O Bela Vista, mais recente e familiar dos quatro, tem dois dormitórios, lareira à lenha, cozinha completa e é pet friendly, para quem viaja com crianças ou cachorro e não quer abrir mão da localização.
Nos quatro, a cozinha é completa. Para quem prefere relaxar, é possível contratar um personal chef que prepara o jantar dentro do chalé.

Parque Nacional Eco Resort está inserido em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural / Foto: Divulgação
Ao lado do Parque Nacional de São Joaquim, na rota dos cânions, o Parque Nacional Eco Resort é um hotel boutique que foi construído para oferecer bem-estar em meio a natureza. A propriedade integra o Green Destinations Top 100 Stories 2023, uma competição internacional de turismo sustentável.
As suítes têm banheira de imersão, sistema de aquecimento, varanda privativa e vista para o lago ou para as montanhas. A estrutura vai além do quarto: SPA, piscina aquecida, sauna, ofurô, sala de massagem, espaço fitness, cavalgadas e trilhas dentro e fora da propriedade.
O bistrô, com vista para as montanhas e ingredientes frescos da região, funciona para hóspedes mediante reserva. A localização também coloca o resort no centro das principais vinícolas da Serra Catarinense: Pericó, Villa Francioni, Piccola Fattoria e Serra do Sol.

A Serra do Corvo Branco abriga o maior corte em rocha do Brasil, com 90 metros de profundidade. / Foto: Unsplash
Segundo a Secretaria de Turismo de Santa Catarina, Urubici foi o município mais procurado para hospedagem em toda a Serra Catarinense em 2025, com 53,6% das escolhas. Uma cidade de 11 mil habitantes em plena transição econômica, do campo para o turismo, que atrai cada vez mais quem busca natureza sem abrir mão de conforto. Confira os principais pontos turísticos de Urubici – SC:
Pedra Furada: icônica formação rochosa de arenito com um arco natural que emoldura o vale e as araucárias ao fundo. O acesso é por trilha curta, de dificuldade baixa, e a vista no final recompensa qualquer um.
Serra do Corvo Branco: uma das estradas mais dramáticas do Sul do Brasil. São 14 curvas em sequência que descem da Serra para o Vale do Rio Canoas. Não é uma trilha, é uma rota de carro que merece pausa e câmera na mão.
Cascata do Avencal: a mais acessível das cachoeiras da região. Uma queda d’água de 60 metros no meio da mata fechada, com trilha de uns 20 minutos a partir do estacionamento. No inverno mais rigoroso, a névoa congela nas bordas e transforma o entorno em cena nórdica.

A Cascata do Avencal oferece duas opções de visitação, no topo e base, com atrações como tirolesa, passarelas de vidro e salto de pêndulo / Foto: Unsplash
Junho a agosto, para quem quer frio de verdade: é o coração do inverno serrano. As temperaturas caem abaixo de zero, a geada cobre os campos ao amanhecer e, nos anos mais frios, a neve aparece no Morro da Igreja e nos chalés do alto. É a época mais procurada e, por isso, a dica é antecipar sua reserva.
Setembro a novembro, tem primavera, flores e trilhas: as araucárias ganham novos brotos, os campos ficam verdes e as cachoeiras correm com mais volume depois das chuvas da virada de estação. O frio ainda aparece à noite, mas os dias são claros e convidativos. É a melhor época para trilhas longas e para visitar as vinícolas da região.
Dezembro a março, um verão de altitude: Urubici no verão não tem nada de litoral. As tardes podem ser quentes, mas as noites refrescam, especialmente em janeiro. Quem viaja nessa época encontra menos movimento.