

No alto das colinas de Fiesole, com uma das vistas mais amplas de Florença, o Villa San Michele, A Belmond Hotel, reabriu suas portas em 28 de abril de 2026 após uma renovação de 18 meses.
O que já foi um convento renascentista do século XV, com fachada inspirada em Michelangelo, inicia agora uma nova fase centrada em bem-estar, reconexão e uma leitura mais sensível do luxo contemporâneo.
A reabertura marca não apenas uma atualização estrutural, mas um reposicionamento claro: o hotel se afirma como um destino de slow luxury, onde o tempo deixa de ser um recurso escasso e passa a ser parte da experiência.

Villa San Michele, A Belmond Hotel, preserva a história e essência de Florença/ Foto: Adrian Gaut
Intimista, mas com escala histórica, o Villa mantém a atmosfera de residência privada enquanto incorpora uma programação voltada ao equilíbrio entre corpo, mente e ambiente.
O Villa San Michele reúne 39 acomodações entre suítes e apartamentos completamente reformados, distribuídos entre o edifício histórico e os jardins.
O projeto, assinado pelo escritório Luigi Fragola Architects, parte do artesanato toscano como linguagem central, combinando mobiliário sob medida, peças em scagliola de Bianco Bianchi e tapeçarias da artista Elena Carozzi.

Botanica Suite, no Villa San Michele, A Belmond Hotel/ Foto: Adrian Gaut
Elementos originais foram preservados e reinterpretados com cuidado, como lareiras em pedra que remetem às antigas celas dos frades e paredes restauradas que mantêm a materialidade do edifício. Há uma leitura contínua entre passado e presente, visível também nos detalhes: pisos em terracota de Impruneta, mármore Cipollino de Carrara nos banheiros e afrescos pintados à mão.

Suíte Limonaia, do Villa San Michele, A Belmond Hotel, tem dois andares e piscina privativa integrada à paisagem/ Foto: Adrian Gaut
Entre as suítes, destacam-se a Limonaia, com dois andares e piscina privativa integrada à paisagem, a Botanica, cercada pela vegetação dos jardins históricos, e a Grand Tour, instalada na antiga ala que já abrigou Napoleão Bonaparte, com uma configuração aberta que conecta memória e contemporaneidade.

Suite Gran Tour, do Villa San Michele, A Belmond Hotel, foi a mesma que recebeu Napoleão Bonaparte/ Foto: Adrian Gaut
A presença artística se estende por todo o hotel, com murais de Francesca Guicciardini, aquarelas botânicas de Maria Rita Stirpe, estudos naturais de Philippa Peckham e obras do artista contemporâneo Mirco Marchelli.

Spa by Guerlain, do Villa San Michele, A Belmond Hotel, com murais pintados à mão/ Foto: Adrian Gaut
O novo Spa by Guerlain reforça a vocação original do espaço como um lugar de retiro. Instalado no primeiro andar do antigo convento franciscano, o spa conta com três salas de tratamento, incluindo uma suíte para casal, e foi concebido como uma extensão do ritmo natural das colinas de Florença.
Os tratamentos seguem a filosofia holística da maison francesa, combinando beleza, saúde preventiva e longevidade.

O Spa do Villa San Michele, A Belmond Hotel, conta com três salas de tratamento/ Foto: Jonangelo Molinari
Entre as experiências exclusivas estão o Floral Delight in Tuscany, com foco sensorial e relaxamento profundo, o The Art of Renaissance, que trabalha a musculatura com técnicas de massagem e ferramentas de pedra, e o Iris di Grazia, tratamento facial inspirado na flor símbolo de Florença.
A experiência começa ainda no “Jardim Secreto”, com murais pintados à mão e uma ambientação que dilui os limites entre interior e exterior, estabelecendo o tom de uma jornada de desaceleração.
Com mais de 10.000 m², os jardins escalonados foram restaurados pelo estúdio Luca Ghezzi Garden Design e retomam a ideia renascentista de “otium”, o tempo dedicado à contemplação.

Jardins do Villa San Michele tem forte presença de espécies típicas da região/ Foto: Mattia Aquila
Entre caminhos, terraços e áreas de sombra, surgem espécies típicas da região como lavanda, alecrim, íris, hortênsias e árvores cítricas. Novos elementos incluem uma horta que abastece a cozinha, um jardim dedicado à íris e um percurso de roseiras de 42 metros voltado a caminhadas contemplativas com vista para Florença.
A programação semanal ativa esse cenário com concertos de música clássica e jazz em parceria com a Escola de Música de Fiesole, além de oficinas como caligrafia e aquarela.

Piscina do Villa San Michele, A Belmond Hotel/ Foto: Letizia Cigliutti
Ao redor, o Parco Monumentale di Monte Ceceri foi redesenhado com trilhas, mirantes e áreas de pausa, ampliando a experiência para além do hotel e reforçando a conexão entre natureza, movimento e espiritualidade.

Yoga ao ar livre no Villa San Michele, A Belmond Hotel/ Foto: Cristina Troisi
Em colaboração com a marca milanesa La DoubleJ, o hotel inaugura um programa contínuo de experiências voltadas ao equilíbrio energético e à prática contemplativa.
Três espaços estruturam essa proposta: a Energy Chapel, com gongo e ambientação sonora imersiva, o Sungazing Lounge, voltado à contemplação do pôr do sol, e um deck de yoga ao ar livre.

Energy Chapel, Villa San Michele, A Belmond Hotel/ Foto: Cristina Troisi
Ao longo do ano, o programa inclui aulas semanais, residências com especialistas e retiros sazonais com práticas como Kundalini Yoga, cura sonora e Yoga Nidra. O primeiro retiro, “Presença Incorporada”, acontece entre 3 e 6 de setembro e propõe uma imersão em respiração, meditação e consciência corporal.
A oferta gastronômica se distribui em três espaços principais, todos orientados por uma filosofia que privilegia ingredientes locais e sazonais.

Restaurante Villa San Michele, A Belmond Hotel/ Foto: Jonangelo Molinari
O Restaurante San Michele apresenta uma leitura refinada da culinária italiana, enquanto o San Michele Grill propõe uma experiência mais descontraída junto à piscina. Já o Antesi, novo restaurante do hotel, assume o papel central dessa nova fase.
Sob comando do chef executivo Alessandro Cozzolino, o Antesi trabalha a ideia de “florescimento”, conceito que guia o tempo ideal de cada ingrediente. O restaurante oferece três menus-degustação: Attesa, voltado às origens do chef; Ora, focado no presente e na relação com o território; e Traccia, com abordagem vegetal.
Entre os pratos, aparecem combinações como panzanella com ameixa e folhas de pimenta e massas artesanais com tomate, pecorino e limão. Instalado em uma galeria renascentista do século XVI, o espaço tem apenas oito mesas e funciona para jantar, aberto também a não hóspedes.
Para o fim de tarde, o Bar Doccia conecta pátio e jardins em uma proposta leve, com coquetéis aromáticos e releituras do Negroni.

Foto: Adrian Gaut
Do convento dedicado a São Miguel Arcanjo à villa privada e agora ao hotel, o Villa San Michele mantém uma rara continuidade entre história e experiência. Poucos lugares em Florença conseguem articular, com tanta precisão, arquitetura, paisagem e silêncio.
Com abertura entre a primavera e o inverno, transporte gratuito até o centro de Florença e uma programação que integra arte, natureza e bem-estar, o hotel retorna como uma expressão clara do que o luxo contemporâneo vem buscando: menos excesso, mais presença.