Viaje na história e na cultura de Buenos Aires como um mochileiro

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Viaje na história e na cultura de Buenos Aires como um mochileiro

Tempo de leitura: 8 minutos
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oloque um tango de Gardel em seu Spotify e prepare seu mochilão! Você está prestes a começar uma viagem pela história e cultura de Buenos Aires, a capital da Argentina. Para entrar no país e desfrutar os 90 dias que a imigração permite não é necessário ter um passaporte, apenas um documento de identidade atualizado.

Como chegar em Buenos Aires

Buenos Aires é um dos destinos mais visitados por brasileiros. Além da proximidade cultural, as ótimas promoções de vôos chamam atenção. A cidade conta com dois aeroportos e um terminal rodoviário principal, no bairro Retiro. Ir de carona é outra opção, uma aventura!

1- O Aeroporto de Ezeiza

Ezeiza está localizado a 32 quilômetros do centro da cidade. A partir de lá é possível:

– Pegar o ônibus da linha 8: Melhor preço mas a viagem é longa.

– Ir de ônibus executivo da empresa Tienda Leon: Preço bom, conforto, mas a viagem é longa.

– Táxi do Aeroporto: Preço fixo alto. Não pegue os táxis comuns, muitos viajantes já relataram golpes.

– Uber: Mais barato que o táxi, porém, ao utilizar seu cartão brasileiro será cobrada uma taxa de 6,38% de IOF.

2- O Aeroparque Jorge Newbery

O Aeroparque fica dentro da cidade, a partir de lá, qualquer das alternativas anteriores sairão mais baratas e mais rápidas.

3- Ônibus de viagem

A terceira opção é chegar em Buenos Aires de ônibus. A viagem é longa porém a passagem é mais barata que a do avião.

 4- Carona

A quarta opção é para mochileiros corajosos. Todo o cuidado é pouco além de ser recomendado pedir carona com companhia.

Como trocar e levar dinheiro para Buenos Aires

Buenos Aires é uma das poucas cidades do mundo onde seus reais são aceitos!

-Troque uma quantia pequena de reais para pesos argentinos no aeroporto, só para chegar no hostel.

-Troque o resto do seu dinheiro na cidade, em casas de câmbio.

O ponto positivo do dinheiro vivo é que você pode trocá-lo aos poucos e conseguir boas cotações. A Calle Florida é uma das ruas da região central com mais opções de casas de câmbio. A concorrência faz com que os preços se tornem atraentes.

Dica: leve seu dinheiro em mais de uma forma: O cartão pré pago, tipo travel money, é uma das melhores opções.

Abuse de aplicativos para acompanhar o câmbio e carregar seu cartão em um dia favorável (ainda no Brasil). O ponto negativo é que se você não gastar tudo, terá que vender seus pesos para uma corretora ou banco pagando assim, duas vezes a taxa de conversão.

Quando ir e como preparar sua mala para Buenos Aires

As estações em Buenos Aires são bem definidas, o que ajuda a escolher a data de sua passagem e também a preparar a mala.

O verão portenho: é quente e úmido devido ao Rio da Prata. As temperaturas variam de 24 a 30 graus, mas facilmente estouram a temperatura máxima. Nesta época, aproveite para viajar com seu mochilão mais leve e lavar suas roupas na lavanderia do hostel. O verão também é uma ótima época para pedalar pela cidade.

O Outono em Buenos Aires: é quente de dia e frio a noite, com garoas leves.

A primavera é uma das estações mais recomendadas, a cidade toda ganha as flores dos jacarandás em tons de lilás.

O inverno em Buenos Aires: é para quem curte o frio. O tempo fica seco e a média é de 12ºC, mas pode chegar abaixo de 0ºC.  Prepare um bom agasalho, luvas e gorro. O frio pode significar uma mala mais pesada, mas apesar de ser inverno, o clima é seco e sua roupa vai secar no varal! Um casaco grande, “de neve” deve bastar para sua viagem.

Dica: Leve uma quantidade de roupa suficiente para uma semana e lave o que precisar.

4 itens de sobrevivência do mochileiro em Buenos Aires
Para se virar como mochileiro em Buenos Aires e não depender de agências de turismo, você vai precisar de:

1- Cartão SUBE

O cartão SUBE é indispensável para transitar por Buenos Aires. Ele é aceito no Subte, o “subterrâneo”, como é chamado o metrô que te leva a conhecer os principais pontos da cidade. O SUBE também vale para o Colectivo, ônibus de linha, um pouco mais confuso que o metrô. É possível recarregar seu cartão em diversos quiosques da cidade.

2-Chip de Internet

Também na Calle Florida você vai encontrar as lojas da Claro, Movistar e Personal. Com seu RG você cadastra seu chip na hora e não paga muito por isso. Para chegar até lá, conte com o wi-fi do Hostel ou de outros estabelecimentos que você pode encontrar pelo app BA WIFI.

3-Mapa offline

Seja pelo Google Maps ou pelo aplicativo Maps.me, ter o mapa de Buenos Aires com os principais pontos, restaurantes e o seu hostel marcados pode ser muito útil caso algo aconteça com a sua internet.

4-Bicicleta

Caminhar e pedalar são as melhores formas de conhecer e se perder pela capital argentina. A Prefeitura de Buenos Aires oferece bikes gratuitas, inclusive para viajantes, pelo app BA Ecobici. O cadastro pede o número do seu RG, o carimbo e o bilhete de admissão do país, que vale 90 dias e você vai ganhar na imigração do aeroporto.

O que você precisa saber sobre Buenos Aires

A metrópole sofisticada já foi um dia colônia da Espanha e na época, era impossível imaginar todo o progresso e toda a ciência que Buenos Aires se orgulha. A carne, fundamental na dieta portenha hoje, já fazia parte do cardápio do povo Querandi que primeiro habitou essa terra. O couro dos belos casacos foi um dos mais importantes produtos para o crescimento da cidade, que recebeu uma grande onda de imigrantes. Italianos, sírio-libaneses, poloneses, russos e espanhóis dividiram grandes casarões, os conventillos. Foi lá que o tango nasceu, um gênero musical acompanhado de dança que é hoje apreciado em grandes espetáculos caros.

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8 bairros para conhecer em Buenos Aires

Não deixe que os edifícios imponentes, cafés e universidades da “Paris da América” te intimidem, muito menos qualquer falta de hospitalidade, como dizem. A história argentina é marcada pela escravidão, por epidemias e por uma ditadura terrível. Em paralelo ao turismo convencional, pode acreditar que Buenos Aires oferece uma ótima experiência para viajantes e mochileiros.Conheça agora as histórias, a cultura e o que fazer em:

La Boca, La Bombonera e Caminito

La Boca é um dos bairros mais turísticos de Buenos Aires. Ele precisa estar em seu roteiro.

La Bombonera

O azul e amarelo das ruas de La Boca emocionam até quem não é fã de futebol. As lojas de souvenirs e estátuas em tamanho real de Messi e Maradona, verdadeiros heróis nacionais, indicarão que você chegou no estádio do Clube Atlético Boca Juniors, La Bombonera.

Os argentinos são loucos por futebol e além do Brasil, eles adoram ganhar do Chile e da Inglaterra na copa do mundo. Os mais fanáticos costumam tatuar o escudo do time e formam verdadeiras famílias de torcedores. O estádio é enorme e conta com um museu completo. Lá você vai conhecer as primeiras camisas do Boca, os melhores lances, troféus inesquecíveis e um pouco da história do bairro.

El Caminito

A algumas quadras do estádio fica Caminito, uma rua-museu. Esse nome inspirou o tango “Caminito” de Juan Filiberto interpretado por Carlos Gardel e outros tantos cantores. Nesta galeria a céu aberto, além de obras de artistas renomados estão expostos todo o tipo de trabalho amador, para todos os gostos. Dançarinos de tango provavelmente vão te chamar para uma foto em frente a icônica loja Havana e depois de você, continuarão a perguntar por todo o dia.

Lojas, cafés e restaurantes se instalaram nos antigos casarões, os conventillos de imigrantes, principalmente italianos. Diferente de outros conventillos portenhos, estes são constantemente pintados nas cores mais malucas desde que o artista boquense Benito Quinquela Martín teve a iniciativa de alegrar o lugar.

San Telmo, um bairro que não esconde sua idade

San Telmo, o primeiro bairro de Buenos Aires, parou no tempo quando as famílias ricas se mudaram para o norte. Os imigrantes de diferentes nacionalidades que chegaram em San Telmo dividiam os casarões, chamados conventillos. Grande parte da população de San Telmo não sobreviveu a dura epidemia de febre amarela em 1971.

Quem visita San Telmo pode conhecer o antigo mercado de estrutura metálica e edifícios históricos caindo aos pedaços. Porém, o clima de decadência virou o charme único do local. Os cafés e restaurantes combinam perfeitamente com as ruas de paralelepípedo.

Todo o domingo uma grande feira toma a Plaza Dorrego, onde antiguidades são vendidas entre apresentações de tango e outras músicas. O Paseo de las historietas é um circuito que começa com a escultura da Mafalda em San Telmo, passa por Montserrat e acaba em Puerto Madero. Durante o trajeto você vai passar por Patoruzito, Gaturro, La Jirafa e muitos outros personagens dos quadrinhos argentinos.

A noite em San Telmo

Quando chega a noite, o bairro ganha vida por trás de portas e escadas que levam a festas pouco divulgadas.

Dica 1: As milongas, casas que misturam aulas de tango com festa, são perfeitas para praticar as lições do dia. Conheça o tango mais moderno da Maldita Milonga na Rua Perú, 571.

Dica 2: A cervejaria Bier Life, em San Telmo oferece mais de 66 tipos de cerveja artesanal. A pizza, o hambúrguer e até o tiramissu levam cerveja na massa. Tudo servido em um grande pátio que te permite observar o movimento do bairro.

Raquel Cintra Pryzant
Raquel Cintra Pryzant
Raquel Cintra Pryzant, 23, é jornalista e vive em São Paulo entre suas viagens pelo mundo. Ela é autora do projeto Sola no Mundo, viagens por histórias e culturas onde compartilha entrevistas e reportagens de suas viagens. Além de produzir artigos para Worldpackers, a Raquel é colunista da Hostelworld e trabalha como Nômade Digital.

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