Lamento de um guerreiro Fulni-ô

cyro-solano-mundo
Os fervedouros congelantes do Jalapão
14 de junho de 2017
voluntários-aldeia
Os voluntários da XI Aldeia Multiétnica da Chapada dos Veadeiros
12 de setembro de 2017

Lamento de um guerreiro Fulni-ô

Tempo de leitura: 2 minutos
lamento-de-um-guerreiro-fulni-ô

Foto: André Rodrigo Pacheco

Towê Veríssimo foi a liderança representante do povo indígena Fulni-ô na Aldeia Multiétnica da Chapada dos Veadeiros de 2017. As vozes dos Fulni-ô, além de lindas, têm muito a nos ensinar. Por isso, O Grupo Towê gravou um CD chamado “Canticos Sagrados Fulni-ô” com canções em português e em Yaathê. Aprendemos algumas melodias ao redor do fogo, que vem a ser o significado da palavra Towê neste idioma, que é tão importante para a cultura Fulni-ô.

“Foi ao redor do fogo sagrado que conheci a história de luta da sua aldeia e aprendi a rezar com o fumo. Todas as noites cantávamos juntos, em yaathê e em brasileiro, sob o rastro da Via Láctea e a chuva de estrelas. A fogueira acolhedora e a sabedoria paternal de Towê são as minhas principais memórias saudosas nas noites vazias do Rio de Janeiro.” Palavras de Thais, sobre Towê. Me tocam, em São Paulo.

Foto: André Rodrigo Pacheco

A música diz tudo, e eu não quero atrapalhar. Então aqui estão os versos da faixa 12 do CD. Frases de poesia, reza e lamento, de um guerreiro Fulni-ô.

“Eu nasci em uma Aldeia, que se chama Fulni-ô (2x)

Eu lutei muito no estatuto novo, prá nós não se acabar (2x)

A minha nova geração, são guerreiros das florestas (2x)

O homem branco não em consciência

Eles tocam fogo em nossas florestas

Se já não tem o ar, não tem a chuva pra molhar

E os nossos peixes estão morrendo

E o futuro das nossas crianças? (eu só lamento)

E o futuro das nossas vidas?  (eu só lamento)

E a vida das nossas terras?  (eu só lamento)

E o ar e as estrelas? (eu só lamento)

Lamento de um guerreiro Fulni- ô, lamento de todos os povos indígenas, lamento da mãe terra

Lamento de nossas florestas que estão se acabando aos poucos, e ninguém observa ninguém ta ligando, vai se acabando aos poucos

E nós índios sumindo da mãe terra e ninguém liga.

Nós não interessa pro mundo, eles acham

Nós só atrapalha, eles pensam

Mas nós somos a força, somos a natureza, somos a água e somos o fogo e a vida

Somos índios Fulni-ô, vivemos no Sertão, numa tribo muito harmonizada, um povo guerreiro.”

Raquel Cintra Pryzant
Raquel Cintra Pryzant
Raquel Cintra Pryzant, 23, é jornalista e vive em São Paulo entre suas viagens pelo mundo. Ela é autora do projeto Sola no Mundo, viagens por histórias e culturas onde compartilha entrevistas e reportagens de suas viagens. Além de produzir artigos para Worldpackers, a Raquel é colunista da Hostelworld e trabalha como Nômade Digital.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *